27.1.06

Pausa



Amigos leitores deste Blog, tenho um livro para terminar nesta semana, para a editora do Senac, assim que o blog ficará temporariamente sem novos posts, mas não desanimem de mim, por favor, já estarei de volta.

26.1.06

Chauvin

No blog do (reaça) jornal ABC, o jornalista Carlos Maribona faz um comentário em boa parte equivocado sobre Alex Atala. Comentarei o artigo com detalhes, mas por enquanto fica o texto dele:
http://blogs.abc.es/index.php/gastronomia/2006/01/23/cena_brasilena

Bom neologismo

Alexandra Forbes, denodada companheira de jornalismo gastrô faz um relato engraçado do Madrid Fusión aqui e usa um termo novo para mim: o "ferranismo". Eu prefiro o "bullismo"...

25.1.06

no Bixiga

Os melhores programas são os que não estão programados. Uma visita à Basilicatta no Bixiga, numa tarde modorrenta de sábado e depois um almoço surpresa no Bassi, que foi quem ( o Wessel também) inventou a carne no Brasil. O lugar é ótimo, tinha me esquecido de lá completamente, o açougue que foi ainda aparece apesar da pátina de restaurante por cima ( e isto é um big elogio!), tem um delírio de samambaias no segundo andar digno de registro. A carta de vinhos é decentíssima, uns 100 rótulos com preços muito bem elaborados. Escolhemos um Porca de Murça, com a mémoria recente de um artigo da Jancis Robinson sobre a uva Souzão de que é feito. Vinho agradável, acho que de maceração carbônica (vou verificar) e que o garçon não teve resistência em deixar no balde de gelo por um certo tempo. O único senão eram as taças de vidro esforçado demais para ser cristal, mas ça va sans dire, não vou ser mais eno-chato que o habitual. O Porca de Murça passaria bem por um bom Beaujolais se o vin de m...ainda fosse bem feito. Acho que prefiro dizer: "Le Souzão nouveau est arrivé". Preço do vinho no restaurante: 31 reais! Baratíssimo.

Padoca, paddock











Padoca, s.f. singular, do grego inventado no feriado: pados, balcão e do latim idem docam, ração. Literalmente: ração tomada no balcão.

É o maior prazer do verão, quando os direitos humanos são claramente violados ("Todo homem tem direito a viver abaixo dos 20 graus centígrados"). Sair de casa Às 5 da manhã,antes que o sol de acetileno varra as ruas em busca de vítimas e comer uma média com pão com manteiga na padaria.

E o casamento não era pra valer

Novos no assunto vinhos ainda tratamos a bebida por Senhor, sem intimidade, cheios de dedos. Assim usamos estas palavras pomposas como degustação,análise organoléptica e falamos em aromas frutados de frutos roxos do bosque. A combinação de vinho com comida se chama "harmonização" (sem comentários...). Em espanhol a palavra muito mais divertida é maridaje (em inglês é matching, que é quase igual: acasalamento). E não é que os cientistas de Davis se meteram a provar que o acasalemento que todo mundo pensa ser o mais clássico é um blefe. Aquele mesmo: queijos e vinhos. Não é muita novidade, mas o link da notícia na Decanter está aqui:
http://www.decanter.com/news/73330.html
E os comentários de Fiona Beckett aqui:
http://www.foodandwinematching.co.uk/
Eu sempre tive a impressão que o melhor acompanhamento para vinho é vinho mesmo...mas isto fica para depois.

23.1.06

É a economia, estúpido!

Mark Bittman comenta no NY Times a série de grandes chefs estrelados que abrem bistrôs mais baratinhos...parece que não tem mais tanta gente disposta a pagar 300 euros para comer sem vinho (no Ducasse de NY eles trazem uma bandeja de canetas para o cidadão escolher aquela com que vai assinar a "painful one" no final).
http://travel2.nytimes.com/2006/01/22/travel/22paris.html
Ainda ironizando o manifesto do Adrià, quando ele diz que todos os produtos têm a mesma dignidade independente do que custam, está mais que correto, se e quando o resultado está à altura do comentário. A salada do Andoni Luis do Mugaritz não tem preço, é fabulosa, mas as verdurinhas crúas, estilo baby carrot do Charlie Trotter são só uma desculpa para cobrar cem dólares por umas abobrinhas passadas no azeite virgem.

O que se come lá no fundo

Pelas postagens anteriores sobre os 21 pontos do Ferran Adriá pode ter ficado a impressão que eu não gosto dele. Errado. Gosto bastante, acho importante, decisivo, divertido. Estive com ele só uma vez, durante o Foro Gastronomic de Vic no ano passado, um sujeito sem pretensão alguma e muito simpático. Nunca ouvi no meio uma pessoa que reclamasse dele, pelo contrário, só elogios à sua generosidade. Há a ciumeira conhecida, mas pedras mesmo nenhuma. O que me parece discutível (no sentido de feito para ser debatido) é a teoria. Enfim...aproveito e ponho o link para um ótimo e único artigo de Nick Lander, crítico do Financial Times e maridão da Jancis Robinson, sobre a comida da brigada do El Bulli, é muito engraçado.
http://www.jancisrobinson.com/categories/nick/nick050924

21.1.06

Secret Garden


Quando faz muito calor como hoje e nem o vinho dá prazer, os tantans da selva invadindo todos os poros, os helicopteros em louca cavalgada financeira das Valquirias sobre a Paulista, a confusão entre público e privado demonstrada em ruído, a prova do fracasso do Brasil como comunidade ( a inexistência quase total de parques)...fujo para meu último recurso: um livrão do Calder, não só do artista, mas do homem feliz, fazedor, bonachão, na sua casa de madeira como um urso da alegria. Calder faz bem.

20.1.06

Big

Quando eu crescer quero ser metade Adam Gopnik e metade Calvin Trillin. Estava neste desanimo pós manifesto quando fiz o que sempre faço quando estou desanimado (uma vez por semana em anos normais), passei a mão num dos 10 livros favoritos (listarei no momento adequado, quando não tiver assunto) e li o Trillin definindo a cozinha que não sabe a que veio: La Maison de la Casa House, comida caseira continental.

Muito além do jardim

Estou traduzindo o manifesto do Adriá. Numa primeira leitura me parece uma mistura de platitudes e truísmos mal alinhavados com a finalidade única de criar notícia e preparar uma volta ao pot-au-feu, como aconteceu mais ou menos na mesma altura da carreira do Bocuse. Está mais para Chauncey Gardiner, aquele jardineiro que dizia qualquer bobagem e era tido como gênio, que para um pensamento maduro de um Chef importante. Pena, porque ele podia ter ficado calado e já era o número 1. Pelo jeito esta vai ser a única revolução que termina com um manifesto, talvez o sonho perfeito dos marxistas, a prâxis iluminando a teoria, ou melhor passando sem dó por cima dela, que teoria mais pífia!

Regras

O sistema de classificação de Bordeaux é fácil de entender perto do sistema de negociação dos vinhos pelos Châteaux. Isto não pode ter sido inventado, é complexo demais, é como o rugby, ou se entende ou não, mas não se aprende. É uma forma ultra-francesa de fazer que ninguém se encontre com ninguém, que o produtor nunca veja (ou cheire) um consumidor.

Para quem não tem adega

Corri com minhas pobres garrafas para a geladeira. Sofrem menos com a trepidação que com o calor congolês (que no Congo se chama "calor brasileiro", a piada não é minha, infelizmente e nem estou para piadas neste clima). Quem inventou o calor deve estar no inferno, que aliás é quente.

Sobre narizes e clichês

Frank Prial no NY Times, a inscrição é grátis para ler o artigo e vale a pena.
http://www.nytimes.com/2006/01/18/dining/18wine.html

19.1.06

Joly, a entrevista


Aqui o link para a matéria da Gula:
http://www2.uol.com.br/gula/reportagens/index.shtml

Pirando no vinho


Saiu na Gula minha entrevista com M. Nicolas Joly, o mentor intelectual e agente físico da biodinâmica. Achei num papelzinho os vinhos que provamos na manhã em que ele me mesmerizou. São:
Coulée de Serrant 2001
Coulée de Serrant 1997
Domaine Gramenon La Memé 1995
Pommard Les Petits Noizons 2002 Derain
Dominio de Atauta Llanos del Almendro 2001
Corullon Moncerbal 2001
Pela cor na foto dá para sentir o que foi aquela gélida matina de Vic, os amarelinhos do Coulée eram do balacobaco. Teve um champagne biodinâmico também, Sélosse, mas não saiu na foto, era extra.

manifesto integral de Ferran Adriá


http://www.madridfusion.net/

No El País de hoje


Ainda se fazem manifestos... Ferran Adrià nos jornais espanhóis de hoje, 23 pontos sobre a nova cozinha...

18.1.06