1.2.07

Nos mudamos/we moved

O blog está atendendo agora em:

http://luizhorta.wordpress.com/

especializado em vinhos (descobri que comida para mim é o que atrapalhe menos o prazer de beber vinhos) e com novo nome. Obrigado Glupt, vc deu o que era possível.

4.10.06

Jargão

Um amigo, cansado de falar em aromas primários e secundários dos vinhos propõe uma atualizada tropicalista-universalista das fichas de degustação, no estilo: "oxe, isso num dá inguio".
"Na primeira cafungada: saravá, que vinho tranca-rua da bixiga taboca da boca do catimbozó. E voltando a cafungar, o vinho se mostrou como onde o mistério encontra o brilho e repousam, alinhados, no céu supremo do pheitiço".

17.9.06

Da difícil arte de premiar

Com algum atraso coloco o link para os resultados, opiniões e controvérsias do prêmio Paladar, no qual tive o prazer e cansaço de participar. Uma maratona!

http://www.estadao.com.br/ext/especial/extraonline/especiais/premiopaladar/index.htm

13.9.06

Começou

Uma tímida revisão dos rumos do bullismo, para onde irá o Adriá?
Mark Bittman no NYT:
http://www.nytimes.com/2006/09/13/dining/13ferr.html

11.9.06

Rolhas

Numa degustação um Vega Sicilia com TCA, coisa raríssima, dado o esmero com que tratam as rolhas, até mesmo plantando os próprios sobreiros. Comentário de um amigo: "mas até o bouchonée deles é melhor, elegante...".

22.8.06

Entrevista

Que fiz com Michel Rolland está no site da Gula em:

www2.uol.com.br/gula/entrevista/index.shtml

21.8.06

Definição

Uma amiga diz que sou um "globe-trotter da birita chic". Gostei e vou usar, talvez no meu cartão de visitas.

8.5.06

Um pouco de tietagem


GAJA & me
Não posso resistir, tenho que postar esta foto que recebi da Alexandra Forbes, eu no auge de ser groupie, garrafa (vazia, que pena) na mão para ele autografar, livro na mão idem (para que a gente guarda autográfos? pelo mesmo motivo que coleciona coisas, uma tentativa de perenidade, de segurar o tempo, ou tirar uma casquinha da celebridade, sei lá!) e uma intensa felicidade com belo almoço e vinhos inesquecíveis no interior...a vida é boa por cinco minutos mensais, o que já é um lucro.

O trauma da primeira vez

Eu já bebi vinhos com screwcap, mas sempre servido por alguém, seja em restaurante ou noutro lugar, já abri aquelas garrafinhas que te dão nos aviões, mas aquilo não conta, avião (sem trocadilho) é um mundo suspenso, nada ali tem a ver com a realidade, nem a comida, nem a bebida, é o teletransportador, vc dorme numa língua e acorda em outra, parte no verão e hega no inverno. Então a minha primeira screwcapada pessoal foi ontem e foi muito esquisito. A garrafa é igual, o vinho era bom, porque a estranheza? Não sei, mas ficou faltando alguma coisa, o gesto, o barulho da rolha, a rolha para ficar segurando e examinando por falta de coisa melhor para fazer. Abrir um vinho com screwcap parece abrir um uísque. Ficou uma coisa incompleta. Vai passar, é claro, vamos todos nos acostumar, mas por enquanto é diferente, realmente estou sentindo falta da rolha, nunca pensei que diria isto.

5.5.06

E RINDO DE SI MESMO

eis o Homem

a Gaia Ciencia

Juro que vou colocar notas de cata e fotos do almoço histórico com Angelo Gaja. Sempre quando se espera menos e se recebe mais é melhor. Fui com preconceito, o homem é casmurro, carantonha, mal humorado, os vinhos caros demais. Pois cheguei em casa e coloquei a garrafa autografada do Gaja na frente da cama e dormi sonhando com aquelas propriedades lindissimas dos slides. O homem é muito divertido, um show man. para mim so lamento que sendo almoço meu apetite nao esteja ainda dos melhores, mas a comida estava muito boa, eu adoro cordeiro e foi incrivel como o vinho explodiu de bom quando tomado com a comida, realmente eu que sempre acho que vinho combina mesmo com vinho, vi que combina com comida tambem. E tirei foto abraçado com ele e cai na mais pura e despudorada tietagem. Mudar de opinião para melhor sempre é bom. E que vinhos, Deus do céu, que vinhos!

14.4.06

13.4.06

Breve

Estou devendo comentáriso sobre a degustação de Borgonhas com Jonathan Nossiter do Mondovino e de Touriga Nacional com Suzana Barelli. Semana que vem tem a vertical de Chryseia. Tudo será devidamente relatado, gripe é gripe e gripe de conexão é pior, mas agora estamos no ar de novo, tudo está sendo escrito e será postado logo.

Uma lista é uma lista, uma lista

Exceto quando a gente fica feliz com ela. Esta da revista inglesa Restaurant que acaba de ser divulgada dá muito orgulho. Primeiro porque o Alex Atala aparece nela, primeiro restaurante brasileiro a ser citado numa coisa desta ordem, dentre meros 50 restaurantes do planeta. A última vez em que comi lá já se percebia que ele tinha achado sua linguagem, e ainda entesouro um chocolate branco com caviar (e olha que não sou o melhor lembrador de cardápios do mundo, tenho melhor memória para vinhos). Depois a minha festa particular pela décima posição alcançada pelo mais perfeito dos chefs, Andoni Luis do Mugaritz, de San Sebastian. Ver o Mugaritz reconhecido nesta escala é para mim muito mais importante que ganhar a Copa do Mundo, pois o Mugaritz é a cozinha do século 21, tecnologica mas inteligente e sensível, tocando a perfeição. Hoje que volto a escrever neste blog depois de longo e tenebroso invernos de caixas de mudança faço este post com o coração leve e feliz.

25.3.06

Pijamão

No Observer Food Monthly, caderno que circula com um dos melhores jornais ingleses (sendo o outro melhor o mesmo, que é o Guardian, pertence ao mesmo grupo e nem sei bem porque são dois), o crpitico de vinhos Tim Atkin conta o que bebe em casa, que é sempre diferente dos Margaux e Lafite das degustações, bem instrutivo e pode ser lido aqui:
http://observer.guardian.co.uk/foodmonthly/story/0,,1736835,00.html

Borbulhas e dinheiro

O Finatial Times de hoje publica uma matéria engraçada, sobre 10 maneiras de ficar rico, ligeiramente off topic aqui no Glupt, mas o item 5 tem a ver, vinho como investimento, uma idéia antiga (vide leilões da Christie's sobe o incrível Michael Broadbent) que tem a vantagem de que se der errado vc bebe o erro, no caso de ações o máximo que se pode fazer é rasgar com ódio a papelada, e ainda tem que comprar algo para beber para compensar:

5) MILLENNIUM CHAMPAGNE - Louis Roederer Cristal


What is it?


Bottle number 1,333 of a Methuselah of Louis Roederer Cristal 1990 champagne made to commemorate the millennium. Only 2,000 six-litre bottles were produced. Orders were taken in the mid-1990s for delivery in 1999.


What was it worth 10 years ago?


About £1,100.


What's it worth now?


£8,360, the highest price paid for a single bottle of champagne sold at auction.


Why has it taken off?


Richard Harvey, wine master at Bonhams' auction house, says: "You ordered the bottles in 1995 with the intention being that the champagne would be a perfect bottle to crack open in the millennium. Obviously some people did open it and some people didn't. Cristal is one of the great champagnes and because big bottles are rare it was one of the millennium investments that paid off."


Where's the market heading?


For a comeback. You can still find a few Methuselahs of Cristal 1990 millennium champagne. They're getting scarcer, so prices will rise.


And think back to before the 1990s. Buyers are lapping up vintage champagnes dating back to the 1950s. Consumed predominately by the British until recently, old champagne is now in demand across the world for its unique flavour. A bottle of Krug Clos du Mesnil 1979 sold last year for £462. Top names such as Dom Perignon and Louis Roederer Cristal from the 1960s and 1970s have been selling for nearly £200 a bottle.


For non-champagne drinkers, any first-growth Bordeaux wines are blue-chip investments: 1982 and 1996 were notable vintages A case of 1982 Chateau Mouton-Rothschild sold last year for more than £5,000 - five times its 1990 auction price. Looking ahead, 2005 was a good year, so get in early.

Consideração

Encaixotando coisas sem fim, pensei: existe coisa mais inútil que um pires?

22.3.06

Escolástico

Hoje no NY Times, Eric Asimov escreve longo artigo sobre Robert PArker. Como eu ontem tive um estalo que toda a influência do RP vem ainda da questão dos universais, que deu cada briga feia na filosofia da Idade Média, achei uma coincidencia certas coisas que ele escreve. Meu artigo vai sair no Trópico, sobre RP e o problema da Escolástica (nada como uma propaganda subliminar, leiam meu artigo, se e quando, for publicado). Mas de volta ao fluxo, o artigo está aqui, o dele (ai que confusão, é a mudança, ninguém tem um raciocínio linear cercado de caixas):
http://www.nytimes.com/2006/03/22/dining/22pour.html?_r=1&oref=slogin

21.3.06

We are moving


Este blog está de mudança, não o blog, que continua neste mesmo endereço virtual, mas o blogeiro. Assim estaremos sem posts por uns dias, dependendo do bom humor da Telefonica e assemelhados, quando então voltaremos com muito mais de vinhos e coisas do vinho. Enquanto isto uma foto de alguns dos melhores vinhos bebidos neste endereço. Remelluri Blanco, Duhart Milon, Flor de Pingus Barceló edition, Lafite, Penfolds Grange, Clos de la Bergerie. Foi bom beber aqui, vai ser melhor beber lá. Até.

13.3.06

Clos de la Bergerie 2001

A principio, quando se abre a garrafa e se serve a primeira taça parece um vinho que passou. "Uhn...este já era, amarelo deste jeito e com este nariz meio botritizado e de chenin blanc ainda por cima...35 euros jogados fora". O nariz é uma delícia, cheio de convites voluptuosos (primeira e última vez em que usarei esta palavra neste blog, juro) mas não promete em termos de um vinho branco do Loire, se ainda fosse um Sauternes ou algo do tipo, mas de um Loire se espera aquela brancura adstringente, ou uma doçura monossilábica. Montes de cheiro de palha molhada, de coisas torrefadas, de mel, mas nada de frescor e alegria. Então um gole: é seco! Surpreendentemente seco, como se fôsse um Tokaj sem o açúcar residual. E depois o negócio vai ficando sério, o vinho é uma explosão de sentimentos, acidez deliciosa, juventude de um adolescente, matizes de um "dos grandes", destes que cada cheirada e cada provada te levam para outros patamares. O homem é mesmo um monstro, Nicolas Joly, e este é só o seu segundo vinho, nem mesmo é o Coulée de Serrant. De tomar de joelhos, mas é muito desconfortável, bebamos de joelhos psicológicos. E traduzir com graça o seu nome aumenta o gosto: Cercadinho das Ovelhas...

9.3.06

Silly things (ou chicletes de sabores exóticos)

Momento Romanov

Eu não nutro especial simpatia pela ex-família real russa, mas não sei bem porque, faz muitos anos, criei a teoria dos Romanov. É assim, quando estas famílias perdem tudo e são obrigadas a fugir, às pressas e aos trambolhões, sempre sobra uma coisinha preciosa, uma latinha de caviar que seja. Então sempre que tenho que fazer algo de que não gosto, como longas viagens desconfortáveis de ônibus, levo nem que seja uma garrafinha de vinho, um chocolate especial, um conforto. Uma amiga de uma amiga, cujo nome infelizmente não sei, quando ficava dura de doer, contando as moedas, dizia: "sempre se pode comprar um chicletes de sabor exótico". A vida tem estas compensações, senão ninguém sobreviveria a ciclones e guerras.

5.3.06

O Bordeaux de ontem

Jantar no Fasano

Foi estupenda a experiência. Vou falar dos vinhos primeiro, fomos esquentando os tamborins com unas copitas de jerez fino, depois passamos para a mesa e o sommelier sugeriu um vinho do sul da França, um Costieres de Nimes, cujo nome ainda vou providenciar saber, mas que era feito de Grenache Blanc, ou seja, um vinho daquela coisa chamada Catalunha, só que do lado de lá da fronteira, muito fresco, austero no nariz, mas com uma gulosidade bem atraente. Depois veio um Cono Sur Riesling, um riesling chileno, excelente surpresa, pelo preço e pela qualidade, para comprar e ter em casa, é baratinho, 38 reais na importadora dos Fasano. Então passamos aos séris Chateau Duhart-Milon 86, vinte anos dormindo esperando por goelas sedentas, Como acontece com vinhos e é sempre educativo, das 3 garrafas a primeira estava inacreditável, bem madura, gostosa, animada, mas pronta para beber. A segunda estava desmaiada e parecia descendo a serra e foi um ato de misericórida acabar com ela antes que morresse e a terceira matamos cedo demais, podia esperar mais uns 4 anos no minimo, parecia engarrafada recente. Vinho não é ciência nuclear, ainda bem. Uns cálices de Madeira Blandy's e um conhaque encerraram a noitada.

2.3.06

Um Chinon, e um Tannat

O Pisano 1a Viña, por exemplo



Um Chinon, Charles Joguet

Sendo inteligente para variar

Bordeaux Grand Cru


A brincadeira, na verdade é um jogo, é definir os estilos de vinhos, uvas, regiões, através de imagens, mas não retratos dos vinhedos. Assim a imponencia e complexidade vetusta de um Cru de Bordeaux, com duas decadas ou mais nas costas, faz pensar num salão de espelhos bem do grande século. Enquanto que a simplicidade, sinceridade e limpeza de propósitos de um bom Tannat uruguaio imediatamente se conecta com um pintor como Duccio, ou Ucello, ou até Giotto, aquela angulosidade de taninos que fazem parte do contexto, aquela perspectiva tal qual se pode ver. Um cabernet franc do Chinon, um Carpaccio, o pintor não a carne...fiz várias mas vou postar só 3 por enquanto, esperando sugestões. E olha que eu não bebi!

1.3.06

Desculpem

Hoje me aconteceu uma coisa tão definidora da vida de um crítico de gastronomia e enófilo, um hedonista alimentado à base de trufas brancas ou negras, conforme a estação, que preciso contar aqui, embora transcenda este umbral da intimidade que mesmo os blogs respeitam. Tive fome ao meio-dia, venho batucando o teclado desde o nascer do sol. Abri a geladeira, pensei, vou fazer uma sopa, peguei uma panela com arroz de ontem e abri a torneira em cima, coloquei um pouco de sal e deixei fervendo. Depois coloquei um fio de azeite, este sim, trufado. Mas foi trash demais, e eu precisava contar, ou agora, ou no leito de morte, preferi agora.

26.2.06

Quase escapou


Esta eu não tinha visto, foi o José Luiz Pagliari, o homem que sabe tudo de vinhos (e é modesto como ele só) que me chamou a atenção. Como Eric Asimov do NY Times começa seu artigo sobre os Riojas dizendo: "confesso, sou um partisan da região" (ou melhor, sou um fanático...) e eu também sou, não podia deixar de colocar o link aqui: http://www.nytimes.com/2006/02/22/dining/22wine.html
Como sempre explicando que para ler um artigo do NY Times é preciso estar inscrito como leitor online, mas que a inscrição é grátis e etc. E também para quem tem som no pc, vale a pena depois de ler o artigo, ouvir os comentários sobre as garrafas selecionadas, feitas em geral pelo próprio Eric mais um bando nada desprezível de convidados, como Frank J. Prial e alguns sommeliers e enófilos nova-iorquinos. Isto é que é carnaval!.

25.2.06

Remelluri blanco


Nem sempre o vinho é o que está na taça, é a sua história nela, o que vc sabe a respeito. Vinho é História e história, geografia e biografia. Um Remelluri blanco, com este nariz estupendo de cascas secas de laranja, de anchovas saídas do mar (mas como? o mar está a centenas de quilometros da Rioja Alavesa! O vinho não é para quem pensa cartesianamente. Há anchovas frescas no aroma do Remelluri e pronto), com esta carnosidade que te enche a boca e o espirito, alegria liquida. Aquele cheiro que dura segundos quando uma ostra é aberta, como se a onda do mar estivesse em refluxo mas ainda deixasse um restinho de maresia. E depois flores, petalas, um toque seco de mel, como se mel pudesse ser seco. O que mais se quer de um vinho? Que ele te transporte da Avenida Paulista poluida, feia e suja num sabado idiota de carnaval, para aquele sopé de montanha tão estupendo, para uma paisagem que nunca será a sua, para aquela tumbas milenares de mortos desconhecidissimos que já viraram minerais e que já viraram adubo e que já viraram vinho. Evoé Remelluri, um copo de vc é um carnaval. Beber um vinho assim vale uma missa. E depois vão aparecendo, sem nenhuma obviedade, o coco da madeira, tão discreto, tao elegante, um ponto sutil de botritis (ou será o skindo do carnaval já se intrometendo na minha olfação). Este vinho é um pequeno tesouro pré-quaresmal, depois dele realmente é preciso pensar 40 dias sobre o misterio da vida., e descobrir no final que tudo valeu a pena. Um vinho que faz chorar, como uma cantata de Bach. Sabe porque vinho é melhor que qualquer outra bebida? Por que vinho é comunitário, não é prazer solitário, é para ser compartido, dividido, só é realmente magnífico o vinho que é tomado em grupo.
Gracias Mikel Zeberio, David de Jorge e Juilián Armendáriz que me levaram aí por primeira vez, desta matéria líquida é feita a amizade e as gratidões. E Fifo e Margot Botti, com quem estivemos na porta da granja Nuestra Señora de Remelluri, chegar tão perto de Na. Sra. é mesmo como tocá-la.

Da arte de compartir


Não sei quem já teve a oportunidade de emprestar coisas que não voltam nunca. Eu infelizmente já, e como...então tive a complicada situação de provar 3 vinhos diferentes, em apenas 1 copo apropriado, com 3 pessoas diferentes. Parece mágica, dá certo, se as pessoas têm senso de humor (e tinham), mas é um malabarismo e tanto. Além da degustação às cegas inventamos a degustação em círculos. Obrigado ladrões de taças, voces forçam uma criatividade a mais no já malabarístico dia-a-dia do viver.

24.2.06

Ktima Pavlidis 2002


Pavlidis da região de Drama! Drama! O vinho não é dramático, ao contrário, deliciosamente ácido e mineral está descendo torrencialmente com um penne com brócolis, nozes e atum fresco. Estou quase vendo o por-do-sol no Pireu e ouvindo uma vozinha distante gritando: "Aritofánes!". Se os pré-socráticos tivessem um vinho destes não teriam deixado aquelas tabletinhas com fragmentos.

Amanhã



Vamos comentar um grande vinho português e um delicioso vinho grego, o português é o Meandro, segundo vinho da Quinta do Vale do Meão, do Douro, precisa falar pouco mais que isto, um vinho de Francisco Olazabal. O grego, está sendo bebido neste exato momento, muito fresco, corte de Sauvignon Blanc e Assyrtiko, e por isto só poderá ser devidamente comentado amanhã.

21.2.06

Come, come


Nem só de Michelin e guias locais de críticos inchados de si mesmos, como o insuportável "old fart" Rafael Garcia Santos na Espanha (um daqueles típicos bullies de restaurantes) vive o panorama da conversa inteligente sobre comida. Um grupo de gente do bem criou o Omnivore, um jornal simpático e agora também um guia. Acontece que o primeiro congresso do Omnivore acontecerá agora mesmo, esperamos que com grande resultado. Quem quiser visitar a página deles (um exemplar do jornal pode ser baixado grátis, no formato pdf) o endereço é este aqui:
http://www.omnivore.fr./
Infelizmente tudo ainda está somente na língua de Voltaire e Sartre, mas todo brasileiro acha que consegue entender francês, porque entende o Claude Troisgros na TV (haha, brincadeira!).

O Señor Vega Sicilia

Saiu na Gula que está nas bancas minha "aventura" pela região de Toro (não tem nada a ver diretamente com touradas, é no extremo noroeste da Espanha, frio e desolado, e lindo...) rumo ao encontro com Pablo Alvarez do Vega Sicilia, o link está aqui : http://www2.uol.com.br/gula/gulodices/160_noticias.shtml
Infelizmente, por falha minha acabei por chamá-lo de Alquiriz e não Mesquiriz como é o verdadeiro sobrenome materno dele, mas é que o nome original do Pintia, quando começou o projeto de VS fazer um vinho em Toro era Alquiriz, depois mudado para Pintia. Nisto que dá fiar na tremelicante memória...

Tanta terra, tão pouco terroir, vá entender...

Suzana Barelli, querida e experta jornalista de vinhos, conta que estão chegando ao mercado alguns brancos interessantes de Santa Catarina, cuja página web pode ser visitada aqui : http://www.villafrancioni.com.br/ Dou meu voto de confiança, mas desanimo um pouco ao ver que estão fazendo um Chardonnay e um Sauvignon Blanc, com todos os cuidados e carinhos, barricas de carvalho Allier e etc. Será que não dava para sermos mais ousados nas variedades? Plantar umas maluquices para ver o que pode sair? O melhor branco que tomei até agora (bom, ainda estamos em fevereiro...) foi o Maria Gomes de Luís Pato. Maria Gomes sendo a uva portuguesa da qual ele tira esta delícia na Bairrada. Mas tudo bem, louve-se mais uma vinícola brasileira, e ainda por cima em Santa Catarina. Esperemos...

16.2.06

Lá vai a rolha embora, de novo


Nenhum assunto volta mais à tona que o do desaparecimento das rolhas, da sua substituição por sintéticas, ou metálicas, ou de vidro ou screwcap: a tampa de rosca. Randal Grahm, o irreverente e engraçadissímo produtor de Bonny Doon fez o enterro simbólico de M.Thierry Bouchon, uns anos atrás, um nome fictício para a velha cortiça. E a rolha persiste e com ela o saca-rolhas. Mas agora um querido produtor do Loire, o Domaine de Baumard, com seu Savennières dentre meus amigos mais estimados, adotou a rosca. Neste caso não é um produtor comum, nenhum mega-industrial australiano, mas um refinado vinho branco longevo do Loire. Caso de se perder o requebrado, ou com a desculpa pela forma baixa de humor, o trocadilho: perder a rosca.

(a imagem é do melhor produtor de screwcap do mundo: Stelvin)

14.2.06

Uma visão da planície


Geralmente vemos a guerra de pontos de vista privilegiados, sempre do melhro ângulo. Por isto é instrutivo ler o relato de uma pessoa que foi ao Madrid-Fusión (mas para ser justo é preciso dizer que seria igual em qualquer destes eventos...) como simples frequentadora. Fez sua inscrição, pagou a caríssima taxa (em geral algo pertode 600 euros, preço de um carro velho vagabundo, mas um carro...) e foi sofrer na mão de todos, organização, hotéis e egos: a guerra na trincheira não tem nenhum charme. Há empurrões para sair na foto, disputa por um pedacinho de proteína e jovens chefs ambiciosos ávidos-por-aparecer-na-mídia-mesmo-que-seja-sendo-criticiado disputando espaço com velhos chefs ambiciosos a.p.a.n.m.m.q.s.s.c. Quem é de fora acha o Arzak um doce, é mais real ver este Arzak que ela mostra, um camaleão com um olho atento à oportunidade. Enfim, este o valor dos blogs, mostrar uma mosquinha no leite, que nem todas as viagens são perfeitas e nem todos os jantares maravilhosos. O link está aqui:
http://elenahernandez.blogspot.com/

12.2.06

A nova França?

Artigo semanal de Jancis Robinson no FT e reproduzido no site dela, na parte de acesso grátis aqui: http://www.jancisrobinson.com/articles/winenews060211 explica porque a Espanha é a queridinha de muita gente (y compris o que escreve este blog...) e porque os franceses têm razão de estarem preocupados com o ataques australiano-argentino no lado quantidade e espanhol no lado qualidade dos vinhos.

9.2.06

Almoço com Pablo Álvarez do Vega Sicilia

Vinhos provados (ainda não no mercado):
Pintia 2003
Alión 2002
Valbuena 2001 e Valbuena 2000
Vega Sicilia "Unico" 1995

Léon

Como só amanhã teremos uma grande prova de vinhos para comentar, aproveito aqui a parte que contribui no foro de leitores do site da Jancis Robinson, numa discussão sobre biodinâmicos. Me empolguei e acabei faznedo um mini guia portátil de Léon, que ela gentilmente classificou de "cheio de atmosfera". Fiquei inchado de vaidade como um baiacu, assim que lá vai:

"Since last year's forum at Vic (in which we tasted with Ricardo Palacios and Joly himself - very funny man, indeed, mesmerizing - some "anthroposophic wines": Jacques Selosse, Coulée de Serrant, Moncerbal, Gramenon , Derain , Dominio de Atauta...)
I am planning a visit to Villafranca del Bierzo, and tried twice to get there but on both occasions it flopped (it's so far north, so difficult to reach without a car...). In March I reached León and talked with Ricardo by phone. He was waiting me, but there is one single daily bus between León and Villafranca del Bierzo, and it takes four hours to accomplish the 200 km. I had to abort the mission and return to planet earth. Last November en route to León again, I had my scheduled changed to meet that very polite man from Vega Sicilia Mr Alvarez, to visit their Pintía operation in Toro, an invitation impossible to let go, ça va sans dire. When this finally arrived Ricardo had some problems in Madrid and couldn't return from the La Guia tasting. I spent a wonderful weekend in León, just resting in that charming Castillian city.

I do recommend a visit, the most beautiful cathedral in Spain, except Cordoba, plus some so nice plazuelas, alleys, a Gothic quarter poetically called Barrio Humedo, a place with astonishing aplomb as for what it is: a centre for an empire that is not there, a void, curious place. There is a one Michelin star restaurant called Vivaldi, just average, but one of those reliable old places of ever, where you can eat a decent salad of fresh asparagus plus some grilled sweetbreads and an almond tart, called Casa Pozo and of course the impressive Parador (that I could describe, quoting you in reverse, as Vega Sicilia in stone).

I drank some interesting wines: Luna Beberide that is also Mencía and from Mariano Garcia (? I am not sure and Aalto , Quinta Quietud and Bembibre. I don't know were my notes are but I know I liked Aalto and not the others, and didn't visit the each time more unreachable vineyard. I've tasted the other wines in Barcelona with Quim Vila ( Pétalos, Corullón, San Martin, Las Lamas...).

Coincidentally Mistral [a major, family-run Brazilian fine wine importer] will present the new wines they are importing next Friday, and among them Palacios Remondo and Petalos del Bierzo and Corullon. Can't wait to read your account on Spain. I like the place more and more, if it's possible to love it more than I already do. Hope not to damage your language too much but I have to work at night because it's 34 degrees C and my brain is roasted".

8.2.06

Malbec

Interessante artigo de Eric Asimov no NY Times sobre a Malbec, que pode ser lido aqui:
http://www.nytimes.com/2006/02/08/dining/08wine.html?_r=1&oref=slogin
A idéia não é nova, mas raramente é de fato executada em provas de vinhos, comparar Cahors e Argentina, mas o painel é um pouco acanhado com apenas 5 vinhos, teria sido melhor com uma gama mais variada de argentinos, pois já há para tudo, inclusive um pouco de terroir mendocino, patagônico e saltenho no assunto. Enfim, é um começo.

5.2.06

Canícula


(12 graus, eu era feliz e sabia...)
Sei, o blog é sobre vinhos e quase ninguém bebe vinho nesta página. Fa caldo Madame! Quando refrescar o vinho volta a ser gostoso, semana que vem teremos novidades, algumas preciosidades serão bebidas, novos vinhos do filho do Catena Zapata, uns borgonhas de estirpe, reencontro com o Petalos del Bierzo de Alvaro e Ricardo Palacios, um biodinâmico bem radical, arrancado das terras de Castilla y Léon. Mas por enquanto, quem diria, aderi ao refrigerante. Passei pelas Colas, depois revisitei o Guaraná, mas como tudo tem cafeína demais, fiquei na Fanta laranja light.

4.2.06

Bananas

Duas copas do mundo passadas, ou três (êta idade!) tínhamos um grupo de amigos que cozinhava pratos dos jogos, assim: principal de um time e sobremesa do adversário, mais ou menos dentro de umas regras (tinha umas roubadas na tabela, para ornar, senão ficava complicado comer, cardápio é como escanteio, todo mundo discute). Só que dava muito prato com banana, país pobre sempre tem prato com banana (apud Nísia). Pois hoje no NY Times apareceu um maluco que inventou um descascador de bananas, para fazer uma coisa que realmente é gostosa, "patacones", umas grandes moedas de ouro (daí o nome) feitas com banana frita. Tem até vídeo explicativo e o acesso é grátis, aqui:
http://www.nytimes.com/2006/02/01/dining/01peel.html